Sinais de perigo na criança: quando ir já ao hospital
Em resumo: se a criança não consegue beber nem mamar, vomita tudo o que come, teve convulsões ou está muito mole e difícil de acordar, vá já à unidade sanitária ou ao hospital mais próximo. Estes são os quatro sinais gerais de perigo da OMS e qualquer um deles basta. Num bebé com menos de 2 meses, mamar mal, respirar com dificuldade, febre ou corpo frio também são urgentes. Na dúvida, vá: é sempre melhor ser visto à toa do que chegar tarde.
Vá já à unidade sanitária ou ao hospital se a criança:
- não consegue beber nem mamar;
- vomita tudo o que bebe ou come;
- teve convulsões (ataques, tremores do corpo todo, olhos revirados) ou está a ter agora;
- está muito mole, sonolenta, difícil de acordar ou não responde;
- respira muito depressa, com esforço, ou a parte de baixo do peito afunda quando respira;
- tem lábios ou pele azulados, cinzentos ou muito pálidos;
- tem manchas na pele que não desaparecem quando se carrega com um copo de vidro;
- é um bebé com menos de 3 meses e tem 38 °C ou mais;
- engoliu um produto tóxico ou medicamentos, teve uma queimadura grande, ou ficou engasgada e não recupera.
Em Moçambique não encontrámos um número nacional de ambulância que possamos confirmar com segurança. Por isso o conselho é simples: não espere por uma ambulância nem por um telefonema — leve a criança directamente à unidade sanitária ou ao hospital mais próximo, de chapa, de táxi ou com quem tiver transporte.
Os 4 sinais gerais de perigo (OMS/AIDI)
A estratégia de Atenção Integrada às Doenças da Infância (AIDI), da OMS e da UNICEF, é a que os enfermeiros usam nas unidades sanitárias. Na criança entre 2 meses e 5 anos, a primeira coisa que o profissional verifica são quatro sinais. Se houver um só, a criança precisa de atenção urgente e normalmente é transferida para o hospital.
| Sinal | Como o reconhece em casa |
|---|---|
| Não consegue beber nem mamar | Oferece o peito ou um copo e a criança não consegue engolir, ou está tão fraca que não pega. |
| Vomita tudo | Nada fica no estômago: água, leite, papa, tudo volta. |
| Convulsões | Movimentos bruscos que não controla, corpo rígido, olhos revirados, durante esta doença. |
| Letárgica ou inconsciente | Muito mole, não olha para si, não acorda bem quando lhe toca ou fala. |
Repare: nenhum destes sinais depende de saber o que a criança tem. Pode ser malária, pneumonia, desidratação ou outra infecção grave — quem decide é a unidade sanitária. O seu papel é reconhecer que é grave e ir.
Sinais de perigo no recém-nascido (primeiros 2 meses)
Os bebés pequenos ficam graves muito depressa e muitas vezes não têm febre alta. A OMS indica que a família deve procurar cuidados logo que o bebé tenha:
- problemas para mamar (não pega, mama muito pouco, desiste);
- menos actividade do que o normal, muito mole;
- dificuldade em respirar;
- febre;
- convulsões;
- corpo frio ao toque.
Num bebé com menos de 3 meses, 38 °C ou mais é sempre motivo para ser visto no mesmo dia. Leia mais em febre no bebé e na criança.
Criança com dificuldade em respirar
Tire a roupa de cima e olhe para o peito. A OMS descreve dois sinais de pneumonia: respiração rápida e tiragem, quando a parte de baixo do peito afunda para dentro ao inspirar, em vez de se expandir. Também são urgentes: ruído áspero ao respirar com a criança calma, lábios azulados, ou a criança não conseguir falar ou mamar por falta de ar. Mais detalhes em tosse e dificuldade em respirar.
Diarreia: sinais de desidratação grave
Segundo a OMS, há desidratação grave quando a criança com diarreia tem pelo menos dois destes sinais:
- está letárgica ou inconsciente;
- olhos encovados;
- não consegue beber ou bebe muito mal;
- a pele da barriga, quando beliscada, demora 2 segundos ou mais a voltar ao lugar.
Comece a dar SRO a caminho, se a criança conseguir engolir, mas não atrase a saída. Sangue nas fezes também precisa de consulta. Veja diarreia e desidratação na criança.
Febre com manchas, pescoço rígido ou em zona de malária
Manchas vermelhas ou roxas que não desaparecem quando se carrega um copo de vidro sobre elas, pescoço rígido, incómodo com a luz, mãos e pés frios com febre: tudo isto pede atendimento imediato. Em Moçambique, qualquer febre deve ser avaliada na unidade sanitária porque pode ser malária, e a malária na criança pode agravar-se em poucas horas. Para manchas sem febre, leia manchas na pele da criança.
Acidentes: engasgamento, queimaduras e envenenamento
Engasgamento
Se a criança tosse com força, deixe-a tossir e fique ao lado. Se a tosse é silenciosa ou não consegue respirar, grite por ajuda e:
- Bebé com menos de 1 ano: deite-o de barriga para baixo ao longo do seu antebraço, a segurar a cabeça, e dê até 5 pancadas firmes entre as omoplatas. Se não sair, vire-o de barriga para cima, cabeça mais baixa, e faça até 5 compressões com dois dedos no meio do peito, logo abaixo da linha dos mamilos.
- Criança com mais de 1 ano: até 5 pancadas nas costas com a criança inclinada para a frente; depois até 5 compressões abdominais, com o punho entre o umbigo e as costelas, a puxar para dentro e para cima.
Repita até sair. Mesmo que o objecto saia, a criança deve ser vista. Se ficar inconsciente, alguém deve levá-la já ao hospital.
Queimaduras
Ponha a zona queimada debaixo de água fria corrente durante 20 minutos. Tire a roupa à volta, mas não arranque o que estiver colado. Não ponha manteiga, óleo, pasta de dentes, cremes ou outros remédios caseiros e não rebente as bolhas. Queimaduras grandes, fundas, na cara, nos genitais ou causadas por electricidade ou químicos vão ao hospital.
Envenenamento
Se a criança engoliu medicamentos, petróleo, lixívia, pesticida ou outro produto: não a faça vomitar e não lhe dê nada para comer ou beber. Vá ao hospital e leve a embalagem do produto.
O que levar à unidade sanitária
- O Cartão de Saúde da Criança — tem as vacinas, o peso e as doenças anteriores.
- Os medicamentos que a criança está a tomar ou tomou nos últimos dias (leve as caixas).
- A embalagem do produto, se houver suspeita de envenenamento.
- A resposta a três perguntas: quando começou, o que mudou desde então e quantas vezes vomitou, teve diarreia ou fez xixi.
Com uma criança doente nos braços é fácil esquecer datas. Ter as vacinas, os medicamentos e os sintomas anotados num só lugar — no cartão ou numa app como a Iasora — ajuda o enfermeiro a decidir mais depressa.
O que fazer a caminho
- Se a criança mama, continue a dar o peito a caminho, se ela conseguir.
- Mantenha o bebé pequeno quente, encostado ao seu corpo (pele com pele) e com a cabeça tapada.
- Se estiver a ter uma convulsão: veja as horas, proteja-lhe a cabeça, afaste objectos duros, não a prenda e não ponha nada na boca. Quando parar, deite-a de lado.
- Não dê remédios caseiros, chás nem aspirina.
- Ao chegar, diga logo à entrada que a criança tem um sinal de perigo, para ser vista primeiro.
Este artigo ajuda a reconhecer quando é urgente. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se tem dúvidas, vá à unidade sanitária.
Fontes
- Integrated Management of Childhood Illness — Module 1: Recap and technical updates on IMCI — OMS (WHO AFRO)
- Newborn mortality (fact sheet) — OMS
- Pneumonia in children (fact sheet) — OMS
- Diarrhoeal disease (fact sheet) — OMS
- High temperature (fever) in children — NHS
- How to stop a child from choking — NHS
- Burns and scalds — NHS
- Poisoning — NHS
- Febrile seizures — NHS
Este artigo é informação geral, escrita pela equipa da Iasora a partir das fontes acima. Não substitui a consulta, nem o juízo de um profissional de saúde que vê a criança. Na dúvida, vá à unidade sanitária mais próxima.