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Malária na criança: sintomas, teste no mesmo dia e prevenção

Actualizado a 11 de Outubro de 2026 · 5 min de leitura

Uma criança dorme debaixo de uma rede mosquiteira ao anoitecer, com um mosquito do lado de fora da rede.

Em resumo: em Moçambique todo o país está em risco de malária, e as crianças pequenas são as que correm mais perigo. Na criança, a malária pode parecer uma gripe ou uma diarreia. Por isso, toda a criança com febre deve fazer o teste rápido de malária no mesmo dia, na unidade sanitária. O tratamento só se dá depois do teste e por um profissional de saúde. A melhor protecção é dormir todas as noites debaixo de rede mosquiteira tratada.

Vá já à unidade sanitária (é urgência) se a criança com febre:

  • Não consegue beber nem mamar, ou vomita tudo o que toma.
  • Teve uma convulsão (ataque), mesmo que tenha passado.
  • Está muito mole, sonolenta, confusa ou difícil de acordar.
  • Respira com dificuldade ou muito depressa.
  • Está muito pálida (palmas das mãos, lábios, dentro das pálpebras).
  • Tem os olhos amarelos, urina escura ou com sangue, ou sangra sem razão.
  • Tem o pescoço rígido.

Estes podem ser sinais de malária grave, que pode matar em poucas horas.

Malária na criança: sintomas

A malária é causada por um parasita que passa para as pessoas pela picada de certos mosquitos, sobretudo do fim da tarde ao amanhecer. Os sintomas costumam começar 10 a 15 dias depois da picada.

No adulto, o quadro clássico é febre, dor de cabeça, calafrios e suores. Na criança pequena é muitas vezes diferente: febre com um ou mais destes sinais —

  • moleza, cansaço, «não está como de costume»;
  • não quer comer ou mamar;
  • vómitos;
  • diarreia;
  • tosse.

Ou seja, uma criança com malária pode parecer ter só uma gripe, uma constipação ou uma diarreia. É por isso que não dá para saber pelos sintomas — só o teste diz.

Febre em Moçambique: teste de malária no mesmo dia

A OMS recomenda que toda a suspeita de malária seja confirmada com teste. Nas zonas de alto risco, como Moçambique, as regras da AIDI mandam fazer o teste a todas as crianças com febre.

  • O teste rápido (TDR) faz-se com uma picada no dedo e o resultado sai em poucos minutos na unidade sanitária.
  • Vá no mesmo dia em que a febre aparece. Sem tratamento, a malária pode tornar-se grave em 24 a 48 horas.
  • Se o teste for negativo e a febre continuar, volte: um teste negativo não exclui malária e pode ser preciso repetir. A AIDI pede uma nova consulta se a febre durar mais 3 dias, e mais cedo se a criança piorar.

Veja também o artigo sobre febre no bebé e na criança, com o que fazer em casa enquanto se organiza para ir.

Malária grave: porque é urgente

As crianças com menos de 5 anos são as que mais morrem de malária em África. A malária grave pode causar:

  • convulsões e coma (malária cerebral);
  • anemia grave — a criança fica muito pálida e cansada;
  • dificuldade em respirar;
  • açúcar baixo no sangue — moleza, sonolência;
  • urina escura, olhos amarelos, hemorragias.

Qualquer destes sinais é razão para ir imediatamente à unidade sanitária, sem esperar pelo dia seguinte. A malária grave trata-se com medicamento injectável e, muitas vezes, internamento.

Tratamento: só depois do teste, só pelo profissional de saúde

  • A malária tem cura, mas precisa sempre de medicamento receitado depois do teste positivo.
  • Não dê antimaláricos por conta própria, nem restos de tratamentos de outra pessoa. A dose depende do peso da criança, e um tratamento errado ou incompleto pode deixar a doença piorar.
  • Dê todas as tomas que foram receitadas, nos dias certos, mesmo que a criança melhore no primeiro dia.
  • Para a febre e o desconforto, pode dar paracetamol na dose indicada pelo profissional de saúde ou na embalagem. Nunca dê aspirina a crianças.
  • Dê muitos líquidos e continue a dar de mamar e de comer.
  • Se a criança vomitar o medicamento, ou não melhorar em 2 a 3 dias, volte à unidade sanitária.
  • Evite remédios tradicionais em vez do tratamento: atrasar o medicamento certo é o que torna a malária perigosa.

Como prevenir a malária nas crianças

Rede mosquiteira tratada, todas as noites

A rede mosquiteira tratada com insecticida é uma das principais armas contra a malária. Para funcionar:

  • A criança dorme debaixo da rede todas as noites, o ano inteiro — não só quando há muitos mosquitos.
  • Prenda bem a rede debaixo do colchão ou da esteira, sem aberturas.
  • Remende os buracos e substitua a rede quando estiver estragada.

Outras medidas

  • Pulverização intradomiciliária: quando as equipas de saúde passarem a pulverizar as casas, deixe-as entrar — é, com a rede, uma das duas principais medidas contra o mosquito.
  • Ao fim da tarde e à noite, vista a criança com mangas e calças compridas.
  • Repelentes: use só produtos próprios para crianças e siga as instruções da embalagem. Não aplique na cara, nos lábios nem nas pálpebras, e não use repelentes com DEET em bebés com menos de 3 meses.
  • Redes nas janelas e portas, e insecticida em spray no quarto ao anoitecer, com as janelas fechadas, ajudam a manter os mosquitos fora.

Vacina contra a malária

Moçambique começou em Agosto de 2024 a dar a vacina contra a malária R21 no PAV, primeiro em 22 distritos da Zambézia, a província com mais malária. São 4 doses, a primeira entre os 6 e os 11 meses. Pergunte na unidade sanitária se a vacina já está disponível no seu distrito e registe as doses no Cartão de Saúde da Criança. A vacina reduz a malária, mas não substitui a rede mosquiteira nem o teste quando há febre. Veja o calendário de vacinação em Moçambique.

Grávidas e bebés

A malária na gravidez é perigosa para a mãe e para o bebé. A grávida deve ir às consultas pré-natais, onde recebe medidas de prevenção, e dormir também debaixo de rede tratada. Um bebé pequeno com febre deve ir sempre e logo à unidade sanitária.

Leve à consulta

Diga quando começou a febre, se a criança teve convulsões, vómitos ou diarreia, se está a comer e a beber, e se já tomou algum medicamento. Leve o Cartão de Saúde da Criança. Para outros sinais de alarme, veja sinais de perigo: quando ir ao hospital.

Fontes

  1. Malaria — fact sheet — OMS
  2. Integrated Management of Childhood Illness — Chart booklet (Março 2014) — OMS (AIDI)
  3. Country Disease Outlook: Mozambique (Agosto 2023) — OMS — Escritório Regional para África
  4. Mozambique introduces lifesaving R21 malaria vaccine (Agosto 2024) — UNICEF Moçambique
  5. Malaria Frequently Asked Questions (Janeiro 2024) — NICD (África do Sul)

Este artigo é informação geral, escrita pela equipa da Iasora a partir das fontes acima. Não substitui a consulta, nem o juízo de um profissional de saúde que vê a criança. Na dúvida, vá à unidade sanitária mais próxima.