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Antes de colar o registo do seu filho no ChatGPT, leia isto

Actualizado a 12 de Outubro de 2026 · 4 min de leitura

Um cartão de saúde da criança com o nome e os dados pessoais tapados com marcador cor de laranja, a caminho de uma janela de conversa.

Em resumo: um chatbot público recebe tudo o que lá colar — o nome da criança, a data de nascimento, o número do cartão de saúde, a cara na fotografia. Conforme as definições, essa conversa pode ser lida por revisores humanos e usada para treinar modelos. Antes de perguntar, tire os dados que identificam a criança, desligue o treino nas definições e use o modo temporário. A pergunta responde-se igualmente bem sem o nome.

O gesto que toda a gente faz

São 22h, a criança tem febre, e o cartão de saúde está em cima da mesa. Tira-se uma fotografia, cola-se no ChatGPT ou no Gemini e escreve-se «isto está bem?». É rápido, e a resposta muitas vezes ajuda.

Mas aquela fotografia leva muito mais do que a pergunta precisa: o nome completo da criança, a data de nascimento, o nome da mãe, a unidade sanitária, por vezes o número do processo. Um relatório de análises leva ainda o nome do laboratório e do médico. Nada disso torna a resposta melhor.

O que acontece a essa conversa

Depende do serviço e das definições da sua conta, mas há três coisas que vale a pena saber:

  • Pode ser lida por pessoas. A Google diz no seu centro de privacidade do Gemini que revisores humanos, incluindo de empresas contratadas, leem uma parte das conversas, e que as conversas revistas ficam guardadas até três anos. Pede, com todas as letras, que não escreva nada confidencial que não queira que um revisor veja.
  • Pode servir para treinar modelos. Nas versões gratuitas e pessoais destes serviços, o uso das conversas para melhorar os modelos depende de uma definição. Na Anthropic (Claude) chama-se «Model Improvement»; no ChatGPT está nos controlos de dados; no Gemini, na actividade das apps.
  • Fica no histórico. Quem pega no seu telemóvel, ou entra na sua conta, vê a conversa.

Isto não quer dizer que não deva usar IA. Quer dizer que deve escolher o que lhe dá.

O que tirar antes de perguntar

Antes de colar, apague ou tape:

• O nome da criança e o seu (escreva «a minha filha», «a mãe»).

• A data de nascimento — basta a idade: «8 meses».

• Números do cartão de saúde, do processo, do BI, do seguro.

• A cara da criança, e qualquer fotografia que mostre a escola ou a casa.

• Nomes de médicos, unidades sanitárias e moradas.

Numa fotografia de um documento, tape esses campos antes de tirar a foto, ou corte a imagem. Muitas vezes nem é preciso a fotografia: escrever «hemoglobina 9,8 g/dL, criança de 2 anos» dá à IA tudo o que precisa.

Três definições que valem cinco minutos

  1. Desligue o treino. Procure nas definições a opção de usar as suas conversas para melhorar o modelo e desligue-a.
  2. Use o modo temporário ou anónimo para perguntas de saúde. A Anthropic diz que as conversas em modo anónimo nunca são usadas para melhorar os modelos, mesmo com a outra opção ligada.
  3. Apague a conversa quando já não precisar dela.

Como a Iasora faz diferente — e onde não é diferente

A Iasora tem um assistente, o HealthAI, que responde a perguntas sobre o registo da sua criança. Também ele envia esse registo a um fornecedor de IA (Anthropic ou OpenAI). A diferença está no que vai e em como vai:

Chatbot públicoHealthAI da Iasora
Nome da criançaVai, se o escrever ou colarTrocado por «o paciente», também dentro das notas de um clínico
O seu nomeVai, se estiver no textoTrocado por «o encarregado»
Telefones e emailsVão, se estiverem no textoNunca saem
Data de nascimentoVai, se a escrever ou estiver na fotografiaNão sai: vai a idade, e a data é apagada até de dentro das notas
Número do cartão de saúdeVai, se o escrever ou estiver na fotografiaNão sai, nem quando está escrito numa nota
AutorizaçãoUsar o serviço é aceitar os termos delePedida de forma explícita, por criança, e pode retirá-la quando quiser
Treino de modelosDepende das suas definiçõesÉ usada a API dos fornecedores, que por omissão não treina com os dados enviados

E o que não muda, porque prometer anonimato seria mentir: a idade, o sexo, as datas em que as coisas aconteceram e o resto do registo seguem como estão, porque são esses factos que permitem uma resposta útil. Quando pede ao HealthAI para ler a fotografia de um documento, a imagem segue inteira — se o nome estiver impresso, vai com ela. A regra do tapar acima vale também aqui.

O HealthAI não é um dispositivo médico e não diagnostica. Quando falta um dado, diz qual; quando algo soa urgente, diz para procurar cuidados.

A regra que nunca muda

Nenhuma IA — pública ou dentro de uma app — vê a criança respirar, nem lhe toca na barriga. Se houver sinais de perigo, não pergunte: vá. Veja os sinais de perigo e quando ir ao hospital, e quando não confiar na IA.

A Organização Mundial da Saúde, nas suas orientações sobre IA na saúde, põe a protecção da privacidade e a autonomia das pessoas entre os primeiros princípios. Para uma família, isso traduz-se numa coisa simples: a IA pode ajudar, mas é quem cuida da criança que decide o que ela fica a saber.

Fontes

  1. Gemini Apps Privacy Hub — Google
  2. Is my data used for model training? (consumidor) — Anthropic
  3. Is my data used for model training? (produtos comerciais e API) — Anthropic
  4. Business data privacy, security, and compliance — OpenAI
  5. Ethics and governance of artificial intelligence for health — OMS

Este artigo é informação geral, escrita pela equipa da Iasora a partir das fontes acima. Não substitui a consulta, nem o juízo de um profissional de saúde que vê a criança. Na dúvida, vá à unidade sanitária mais próxima.