Cartão de Saúde da Criança: como guardar uma cópia digital (e o que fazer se o perdeu)

Em resumo: o Cartão de Saúde da Criança — a «caderneta» ou o «cartão de vacinas» — é o registo que a unidade sanitária lê em cada consulta: vacinas, peso, dados do parto. Fotografe todas as páginas, guarde as fotografias num sítio seguro e não as partilhe em grupos. Se o perdeu, volte à unidade sanitária onde a criança foi vacinada e pergunte o que podem recuperar. A cópia digital ajuda, mas o papel continua a ser o documento oficial: leve-o sempre.
Perdeu o cartão? Não falte à próxima vacina.
- Vá à unidade sanitária na data prevista, mesmo sem cartão, e diga logo que o perdeu.
- Leve o que tiver: uma fotografia antiga do cartão, a data de nascimento, o nome da unidade onde a criança foi vacinada.
- Se a criança estiver doente — febre alta, não mama, respira com esforço, convulsões — não espere pelo cartão: vá já.
Para que serve o Cartão de Saúde da Criança
É o papel que a maternidade entrega quando o bebé nasce e que a acompanha até aos cinco anos. As normas do Ministério da Saúde pedem aos profissionais que, logo à saída da maternidade, vacinem o recém-nascido com BCG e pólio oral e o anotem no cartão de saúde. Em cada consulta seguinte, a criança é pesada e medida e tudo é registado lá.
No cartão ficam, entre outras coisas:
- As vacinas, com as datas em que foram dadas — é por aqui que o enfermeiro sabe qual é a próxima dose.
- A curva de peso, ponto a ponto. Uma curva que sobe é bom sinal; uma curva parada ou a descer pede atenção (veja peso e altura do bebé por idade).
- Os dados do nascimento: peso ao nascer, e, quando é o caso, se a criança foi exposta ao HIV, à sífilis ou à tuberculose, e as profilaxias que recebeu. As normas do MISAU mandam registar tudo isto no cartão.
A Organização Mundial da Saúde recomenda estes registos guardados em casa porque complementam o processo da unidade sanitária: a família leva a história da criança consigo, de consulta em consulta, de posto em posto.
Como se perde um cartão de vacinas
Quase nunca é descuido. É a vida:
- Chuva e humidade. Uma época das chuvas, uma casa que mete água, e a tinta da caneta desaparece.
- Mudanças de casa, de bairro ou de província.
- A creche ou a escolinha que pediu o cartão e não o devolveu.
- Duas casas. Pais separados, a criança que passa a semana com a avó — e o cartão fica sempre na mala de quem não está lá no dia da vacina.
- Bebés que rasgam, mordem e molham tudo o que lhes chega às mãos.
Perdi o cartão de vacinas do meu filho: o que fazer
- Volte à unidade sanitária onde a criança foi vacinada. As unidades têm os seus próprios instrumentos de registo — as normas do MISAU listam, ao lado do cartão, o livro de registos da consulta. Pergunte o que conseguem recuperar e se lhe podem dar um cartão novo.
- Leve tudo o que tiver: fotografias antigas do cartão, a cédula ou o boletim de nascimento, a data e o local do parto.
- Não deixe passar a próxima vacina à espera de resolver o cartão. O enfermeiro decide, com o que houver, o que a criança precisa.
Não encontrámos regras públicas do MISAU sobre a segunda via do cartão, por isso não lhe vamos prometer como funciona. O caminho certo é perguntar na sua unidade sanitária.
Como fazer uma cópia digital do cartão, com segurança
A melhor altura para fotografar o cartão é hoje, enquanto ainda o tem na mão.
- Fotografe todas as páginas, incluindo a capa e a curva de peso. Uma página por fotografia.
- Boa luz, sem flash. Junto a uma janela, de dia. O flash cria um reflexo branco que apaga as datas.
- Telemóvel paralelo ao papel, com o cartão inteiro dentro da imagem. Confirme no ecrã que consegue ler as datas antes de passar à página seguinte.
- Repita depois de cada consulta, porque o cartão muda a cada vacina e a cada pesagem.
- Guarde uma cópia de segurança fora do telemóvel — se o telemóvel for roubado, vão as fotografias com ele.
Não publique o cartão. Nem nas redes sociais, nem no grupo de WhatsApp da família. Ele tem o nome completo da criança, a data de nascimento, o nome da mãe, a unidade sanitária e, às vezes, informação sobre o HIV. Uma vez enviada, a fotografia deixa de ser sua. Se precisar de mostrar uma vacina a alguém, corte a imagem para mostrar só essa linha.
O papel continua a ser o documento oficial
Uma fotografia no telemóvel não substitui o cartão. É no papel que o enfermeiro escreve, carimba e assina, e é o papel que lhe vão pedir na unidade sanitária. Continue a levá-lo a todas as consultas e a todas as vacinas. A cópia digital serve para outra coisa: para não perder a história da criança se o papel se perder, e para ter as datas à mão quando o cartão ficou em casa.
Uma caderneta de saúde digital, na Iasora
A Iasora é uma app para guardar a saúde da criança, e foi feita a pensar neste cartão. Pode fotografar as páginas do cartão para o cofre de fotografias e documentos da criança — os dados de localização são retirados das fotografias. As vacinas registam-se uma vez, olhando para o cartão; a app não lê nem transcreve o cartão sozinha. A partir daí, segue o calendário de Moçambique e mostra o que já foi dado, o que está para dar e o que está em atraso (veja o calendário de vacinação de Moçambique). Cada vacina aparece com o nome dela e, por baixo, o nome impresso no cartão: «Pentavalente», e por baixo «DPT + HepB + Hib».
O peso e a altura aparecem nas curvas da OMS. Dois encarregados podem partilhar o mesmo registo — a mãe e o pai, ou a mãe e a avó — e assim o cartão deixa de estar só numa mala. E para mostrar a um clínico, gera-se um código que expira sozinho e só mostra as secções que escolher. Começar é grátis, para uma criança. Sobre o que acontece aos dados, veja dados de saúde da criança e privacidade.
E na próxima vacina, leve o cartão de papel na mesma.
Fontes
- Normas para os Cuidados de Saúde Maternos e Neonatais no Período Pós-parto e Pós-natal (2.ª edição, 2023) — Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU)
- WHO recommendations on home-based records for maternal, newborn and child health — OMS
- Calendário de vacinação da criança e de vitamina A — Telessaúde Moçambique
Este artigo é informação geral, escrita pela equipa da Iasora a partir das fontes acima. Não substitui a consulta, nem o juízo de um profissional de saúde que vê a criança. Na dúvida, vá à unidade sanitária mais próxima.